Teresina / PI – Cidades Transbordadas https://www.cidadestransbordadas.jaca.center Cidades Transbordadas Mon, 23 Oct 2017 12:55:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.10 ESPAGUETE https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/19/espaguete/ https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/19/espaguete/#respond Thu, 19 Oct 2017 20:30:07 +0000 http://www.cidadestransbordadas.jaca.center/?p=481

Objeto onipresente nos lares da Teresina Velha, a cadeira espaguete ajuda no trânsito das energias corporais, além de proporcionar a desejada refrescância. Raimundo produz esse clássico nacional há décadas nas terras piauienses.

A CADEIRA DE MACARRÃO - Silvia Oliveira

 

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PORTA AUTOMATICA https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/19/porta-automatica/ https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/19/porta-automatica/#respond Thu, 19 Oct 2017 19:39:30 +0000 http://www.cidadestransbordadas.jaca.center/?p=461 ]]> https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/19/porta-automatica/feed/ 0 PREGUIÇOSA https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/11/preguicosa/ https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/11/preguicosa/#respond Wed, 11 Oct 2017 10:58:48 +0000 http://www.cidadestransbordadas.jaca.center/?p=143
Finada estava Teresina nos dias que circundaram o feriado dos mortos, mostrando que a data serve mesmo é pro conforto dos vivos, já que os que se foram, parecem se importar pouco com o calendário. Caído na quarta-feira, ofereceu a oportunidade de enforcar o início da semana unindo-se a outras datas comemorativas que homenageiam outra figura em vias de extinção: o funcionário público. Decretou-se feriado na segunda e terça feiras, ou melhor, ponto facultativo, pra que os funcionários terceirizados não se confundam, acreditando que possuam os mesmos direitos do governador em seu palácio na avenida. A menor do mundo, diga-se de passagem, mas, ainda assim, uma avenida.

Calor de matar. Nesses primeiros dias, presente mesmo, só o Sol, em maiúsculo para mostrar sua onipotência aos poucos seres vivos que insistiam em caminhar pela aridez das ruas. A cada esquina da cidade plana, um horizonte infinito onde não vê o fim das ruas com suas escassas árvores, contradizendo o poeta maranhense que em visita a cidade mostrou-lhe admiração com o título de “Cidade Verde”. Coelho Neto já não está entre nós pra ver o que o verde desbotou e se tornou cinza, não por culpa do Sol, mas sim por nossa fúria progressista.

Cidade planejada como outras cinco capitais brasileiras, Teresina padece dos mesmos males que suas companheiras. Os planos originais nasceram ou se tornaram excludentes empurrando as camadas mais pobres da população para os limites urbanos: mato, morros, alagados, satélites. Movimento contínuo de expulsão, onde lugares antes distantes e indesejados tornam-se alvo de ímpetos expansionistas e especulatórios.

Uma profusão de novos empreendimentos imobiliários coexistem com outros tantos imóveis vazios e abandonados. A especulação imobiliária, parte da lógica que compreende a produção e consumo constantes como motores da economia nos ajudam a desconfiar da transformação do centro de Teresina. Casas que outrora serviam a moradias tiveram suas fachadas grotescamente maquiadas por uma insípida estética comercial. Em algum momento parecem ter vendido a ideia que o centro era um lugar ruim para morar e que as pessoas poderiam obter mais lucro vendendo ou alugando suas casas pra lojas, consultórios, escolas privadas e outros negócios. Deram a essa Teresina a alcunha de velha, de ultrapassada, insegura ao mesmo tempo em que era construída uma Nova Teresina, do outro lado do rio Poti, com torres de apartamentos, shopping centers e muitas vagas de estacionamento. Uma Teresina plastificada que poderia ser confundida com qualquer novo bairro classe média de outra grande cidade brasileira. De costas para o rio, a Nova Teresina desaparece esvaziada de memória e identidade.

Mas chega a quinta feira e os vivos reaparecem nas ruas adjacentes ao Mercado Central. Chegam para usá-la durante o dia, pra comprar óculos, sapato, pastel, celular. Ir ao banco, ao médico, à escola. E novamente abandoná-la ao cair da tarde, saindo de carro, ônibus, bicicleta, van ou no trem de linha solitária. Repetem o ato de seu fundador, o Conselheiro Saraiva, que deu no pé um ano após ter fundado a cidade, transferindo a capital da então província para a fronteira com o Maranhão. Demoraria mais um pouco se tivesse recostado em uma preguiçosa, adaptação mais confortável da cadeira jabuti.

Mateus Mesquita

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CIDADES TRANSBORDADAS >>> PROJETO https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/05/__trashed/ https://www.cidadestransbordadas.jaca.center/2017/10/05/__trashed/#respond Thu, 05 Oct 2017 18:47:19 +0000 http://www.cidadestransbordadas.jaca.center/?p=88

Temos no Brasil vários exemplos de cidades planejadas que mesmo com o rigor e previsibilidade de seus projetos não conseguiram conter o improviso e a inventividade em sua implementação e dinâmica cotidiana. Num primeiro momento, em 2014 quando o projeto Cidades Transbordadas foi idealizado pelos integrantes do JA.CA, cinco capitais planejadas em diferentes períodos históricos foram selecionadas: do tempo do império (Teresina, fundada em 1852), da instauração da república (Belo Horizonte, inaugurada em 1897), da política de incentivo à ocupação e desenvolvimento do Centro Oeste brasileiro encampada por Vargas (Goiânia,criada em 1932) e renovada pelo espírito desenvolvimentista e moderno de JK (Brasília, inaugurada em 1960), chegando à recente redemocratização após o período de ditadura militar (Palmas, fundada em 1989).

Um ano mais tarde, o edital para qual enviamos a versão idealizada sofreu cortes, e desta maneira, a cidade de Goiânia ficou para ser explorada em outra oportunidade.

Nos concentramos em pesquisar Teresina, Belo Horizonte, Brasilia e Palmas: cidades que extrapolaram seu traçado inicial, criando outras ocupações imprevistas e originais, nas visitas nos interessaram as bordas destas cidades, investigando as proposições que não contavam nos planos originais. A proposta foi promover um encontro entre 'artistas com pesquisas que envolvem ideias de cidade, de paisagem e uma reflexão crítica sobre a noção de projeto.' Foram convidados André Severo que acompanhado de Mateus Mesquita esteve em Teresina; Beto Shwafaty visitou Brasília com Francisca Caporali e Márcio Gabrich; enquanto Yana Tamayo e Joana Meniconi foram à Palmas. Todos vieram ao JA.CA e em Belo Horizonte convidamos Fabíola Moulin para contribuir com o projeto. 'Cidades Transbordadas buscava justamente encontrar na fricção entre o projeto e sua realização (no caso, o planejamento urbano) o espaço para pensar o lugar dos artistas e das proposições poéticas como forma de compreender o espaço em formação, a paisagem em transformação.'

O projeto foi contemplado pelo Prêmio Rede Nacional de Artes Visuais da Funarte/Minc e as viagens de pesquisas aconteceram entre agosto e dezembro de 2016.

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