RIOS IGNORADOS

Belo Horizonte / MG

O Curral D’el Rey (atual Belo Horizonte) foi escolhida como nova capital do estado devido às suas ótimas condições: acessibilidade por todos os lados, cercada por serras, arborizada e repleta de rios e cursos d’água. Entre 1894 e 1897, Belo Horizonte foi projetada para 300.000 habitantes por Aarão Reis, sendo a primeira cidade brasileira moderna planejada.  A Av. do Contorno dividia a área urbana da suburbana, que a principio não recebeu infraestrutura, tendo como função abastecer a área central de produtos hortigranjeiros.

Águas urbanas sempre foram bens preciosos para construções de cidade durante toda história humana. Porém ao organizar os arruamentos da zona central em trama geométrica, Aarão Reis mata cursos d’água prevendo canalizações subterrâneas.

Os tabuleiros de xadrez não são apenas prisão para o corpo mas também sepulturas para a alma” (John Ruskin, 1910)

Fonte: Rios Invisíveis

Esconder rios, desprezando um marco natural da paisagem, é uma ideia presente desde 1985 no planejamento de Belo Horizonte. Em nome do progresso e desenvolvimento da capital mineira, que já via sua área urbana crescer além contorno, obras de infraestrutura urbana começaram a ser realizadas. Para criar avenidas receptoras de esgoto e tendo o automóvel como foco de políticas publicas, as águas belorizontinas foram marginalizadas e escondidas entre os anos 1950 e 1970. A capital possui 654km de rios dos quais 208km deram lugar a avenidas sanitárias - apenas 96km ainda correm em leito natural.

Belo Horizonte esconde um enorme tesouro sob o asfalto que é rememorado por moradores que cultivam lembranças às margens de rios. Lugares onde antes era possível nadar e pescar como o Ribeirão Arrudas, misturam sua historia com tragédias pós canalizações.

A adequação de uma cidade que transbordava seus limites preestabelecidos foi feita sem levar em consideração sua topografia e hidrografia, demonstrando a relação dicotômica entre o homem e a natureza. Ocultos aos olhos da população, muitos cursos d’água que compunham o cenário da cidade hoje são lembrados pelos moradores somente quando transbordam.

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Fonte: APM
Fonte: APM